A Casa de Hades – Capitulo I – Jason

Ele suspirou, esfregando os braços para afastar o frio quase congelante da noite, acima das nuvens. Àquela hora, todos os outros estavam dormindo, com exceção de Leo, que parecia ter aceitado como uma missão mais do que especial desenvolver recursos para resgatar Annabeth e Percy do Tártaro. Desde que tinham conseguido se livrar da última horda de monstros voadores que haviam atacado o Argus II ele havia voltado para seu quarto, procurando estudar mais os pergaminhos de Arquimedes.
De vez em quando, um ou outro som chamava sua atenção, mas nunca era nada demais. Um estalo entediado de Festus. O som dos motores da aeronave. As correntes prendendo Atena Partenos no compartimento de carga improvisado no estábulo. Ouviu mais um som atrás de si e dessa vez viu que era Nico. Ele se apoiou no parapeito, cansado. Ficou calado por algum tempo, observando o horizonte, com os olhos semiserrados.

– Eu adoraria dizer que é um ótima ideia seguirmos até o monte Épiro com esse navio, mas é uma péssima ideia.

Jason o encarou de esguelha.

– Eu sei. Ficamos muito vulneráveis, mesmo eu tendo vantagem no céu.
– Não só isso. Precisamos pensar em um ataque surpresa contra as forças de Gaia, se quisermos ter alguma chance. Vamos chamar muita atenção no céu.
– O único problema é que no chão, a vantagem é dela.

Os dois suspiraram, sem grandes ideias.

E então, Festus soou o alarme.

Um bando gigantesco de Pássaros da Estinfália se aproximava rapidamente, fazendo um baralho ensurdecedor com seus grasnados e farfalhar de asas. Nico endireitou-se e pegou sua espada, mas Jason tomou a frente. Era visível que o filho de Hades ainda não estava em condições de lutar. Festus disparava labaredas para afastar a vanguarda dos pássaros, enquanto Hazel, Piper, Frank e Leo apareciam no convés, prontos para o combate.
As habilidades de Jason, Festus e de Frank, agora na forma de uma águia gigante, foram particularmente úteis contra os pássaros, que foram queimados, atacados e tirados de seu caminho por lufadas de vento. Leo também fez um bom trabalho no controle das armas, e naquele momento todos procuravam recuperar o fôlego.

– Esse ataque veio antes do que pensamos. – Frank voltara ao normal depois de pousar no convés
– Aposto que quanto mais perto do monte Épiro estivermos, pior vai ser.

Jason tinha acabado de dizer aquilo quando uma segunda leva de Pássaros da Estinfália surgiu no horizonte, levando todos os semideuses de volta a seus postos de combate. Hazel lutava perto de Nico, procurando proteger o irmão o melhor que podia, embora o menino tivesse que ajudar uma vez ou outra. Quando o segundo ataque cessou, os semideuses se entreolharam, preocupados e cansados.

– É óbvio o que Gaia pretende. Ela quer nos enfraquecer aos poucos, uma onda de monstros atrás da outra. – Piper estava sentada no convés, ofegante
– Leo, você acha que consegue incorporar logo aquela esfera que encontramos ao Argus II? – Frank olhou o filho de Hefesto enquanto secava o suor do rosto com a mão.
– Eu mal comecei a desvendar aqueles pergaminhos. Eu vou precisar de mais tempo.
– Ok… tirando isso, quais são nossas opções?

Eles se entreolharam, provavelmente pensando a mesma coisa. Que normalmente era Annabeth quem fazia os planos. E agora eles precisavam de um plano bom o bastante para resgatar Annabeth e Percy do Tártaro.

Nico se mexeu, desconfortável, como se tivesse uma ideia, mas hesitasse em mencioná-la. Ele observava a própria mão, como se houvesse algo a ser visto além de sua pele pálida e da manga de sua jaqueta de aviador.

– A Profecia falava sobre Sete Heróis.
– Sim. – Jason concordou – Sete Meios-Sangue / Responderão ao Chamado / Em Tempestade ou Fogo / O Mundo Terá Acabado / Um Juramento a Manter com um Alento Final / E Inimigos com Armas / Às Portas da Morte, Afinal. No momento, somos seis semideuses. E um fauno.
– Sátiro.
– Que seja.
– Alguma ideia Nico?
– É só que… o juramento… pode ser a minha promessa para Percy, sobre nos encontrarmos com ele e Annabeth do outro lado das Portas da Morte, no monte Épiro. E o sétimo semideus… eu conheço alguém que poderia nos ajudar.
– Quem?
– Uma… uma pessoa que eu conheci quando ainda estava buscando as Portas da Morte. Sem a ajuda dela, eu acho que não teria durado no Tártaro, mesmo sendo um filho de Hades.

Ele não estava acostumado a ser o centro das atenções. Ele parecia desconfortável e ainda mais deslocado depois que todos os olhares pousaram sobre ele.

– Bom… podemos mandar uma mensagem de Íris para essa pessoa, seja lá quem for. Só não imagino como ela vai nos alcançar aqui. – Piper já começava a vascular os bolsos em busca de drácmas de ouro
– Como vamos fazer um arco-íris a essa hora da madrugada, ainda mais aqui fora? – Hazel se levantou, finalmente mais descansada
– Acho que não vai ser preciso.

Nico falou, tentando parecer confiante, mas Jason percebeu que nem mesmo ele sabia se funcionaria. Jason coçou a cabeça, dando de ombros.

– Então, tenha a bondade de fazer a sua mágica, por favor.
– Escolha… interessante de palavras. – o menino esboçou um sorrisinho, parecendo se concentrar

Com exceção de Leo, que esperava o relatório sobre munição restante e danos de Festus, todos prestavam atenção em Nico, esperando que ele fizesse alguma coisa. Ele ainda estava em pé e calado, os olhos fechados, ainda se concentrando em algo que não ficara muito claro o que era. Jason não se lembrava de filhos de Plutão terem a capacidade de se comunicar via pensamentos com outras pessoas, e mesmo sendo ele um filho de Hades, ele duvidava que fosse o caso.
Quando Nico abriu os olhos, parecendo esperançoso, todos olharam para os arredores, imaginando se alguém cairia do céu. Mas, certamente não lhes passou que alguém brotaria das tábuas do convés.

Não literalmente das tábuas do convés. Um pouco depois de Nico abrir os olhos, quando todos já estavam desistindo de ver algo acontecer, uma linha de luz fraca, púrpura, começou a percorrer o convés, desenhando um círculo absolutamente perfeito na madeira. Em seguida as linhas se multiplicaram e começaram a desenhar diversos símbolos dentro do círculo, rapidamente. Até Leo tinha parado com seus deveres, observando maravilhado.

– Cara, o que você fez!? Isso é demais!!
– E-eu não sei ao certo, acho que nada.

Jason encarou Frank e Hazel, como se eles já soubessem o que fazer. Empunharam suas armas e apontaram para o círculo.

– Eu sei exatamente o que é isso!! Vi alguns filhos de Hecate usarem uma coisa assim como meio de teleporte durante a guerra contra Chronos! Preparem-se para invadirem o navio!
– Filhos de Hecate?! Pensei que eles tinham sido anistiados! – Piper não sabia ao certo como agir, então apenas sacou sua adaga de volta

O círculo estava pronto. A luz púrpura tornou-se mais intensa, e quando ela baixou, uma moça num manto de veludo negro estava de pé no centro do círculo parada. Ela vez um gesto com a mão e expulsou o capuz de sua cabeça, saltando para fora do círculo com duas armas empunhadas na direção de Jason.

– Grace, o pretor!! Esperava não ver mais seu amontoado de arrogância na minha frente depois da guerra contra Chronos!!
– Como você descobriu a nossa localização, LeFey!?
– Uma triste coincidência, pelo visto. – ela percebeu a aproximação de Frank e deu um tiro de aviso próximo de seu pé – Nem vem, grandão. Não tenho assuntos a tratar com vocês.
– Esperem todos vocês, parem com isso!!

Nico, o único que até então não tinha sacado sua espada novamente, gritou. A moça o encarou com os mesmos olhos verdes familiares de antes, embora desta vez ela não estivesse usando seus óculos. Ela parecia ainda mais confusa do que antes.

– Eu chamei Morgan aqui. Ela é a semideusa de quem eu falei.

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