A Casa de Hades – Capítulo III – Percy

Quando Percy despertou ele ainda não estava acostumado com a escuridão do local, mas já começava a ponderar se havia sido uma ideia tão boa assim acordar. Piscou algumas vezes acostumando os olhos com o breu, colocando-se a procurar por Annabeth imediatamente em seguida, ainda que não soubesse por onde começar. Da forma como tinham despencado até o Tártaro, ela não deveria estar muito longe. Colocou a mão dentro do bolso e destampou Contracorrente, o Bronze Celestial produzindo uma leve luminosidade que naquele momento era muito bem vinda, e o suficiente para encontrar a filha de Athena não muito longe. Aproximou-se dela com pressa, sem saber como não estava com nenhum osso fora do lugar com a queda.

Annabeth não parecia muito mais ferida do que estava quando ele a encontrou no covil de Aracne. Com cuidado, Percy deixou a espada de lado e segurou Annabeth, tentando fazê-la beber um pouco do cantil de néctar. O rosto da jovem se contorceu e ela despertou, tossindo um pouco do néctar.

– Percy, você está bem?
– Eu quem devia te perguntar isso. Como está seu tornozelo?
– Na mesma. – sua voz deixava transparecer um pouco de dor
– Precisamos refazer essa tala.
– Animador…

Ela suspirou, suportando a dor da melhor maneira que podia enquanto Percy refazia o curativo, aplicando um pouco de néctar sobre o inchaço no tornozelo. A dor melhorou segundos depois e a filha de Athena começava a sentir a lesão esmaecer. Se passasse mais algum tempo sem caminhar, apenas cuidando do tornozelo ferido, certamente estaria nova em folha em algumas horas, mas eles não tinham esse tempo. Precisavam cruzar o Tártaro imediatamente, e encontrar Nico e seus outros amigos na saída das Portas da Morte, no Monte Épiro.
Tinham uma vaga noção da direção que tinham que tomar, então comeram um pouco do que Percy ainda tinha consigo e coloraram-se a caminhar, Annabeth com o braço nos ombros de Percy, ainda mancando enquanto andava.

– Ei, cabeça de alga…
– Hm?
– Obrigada por não me soltar naquela hora…
– Você tá brincando? E perder essa chance maravilhosa de passear pelo lugar mais bonito da antiguidade com a minha namorada?!

Annabeth riu-se.

Só mesmo Percy para conseguir fazer piada naquela situação.

Andar pelo Tártaro era estranho. Se eles já tinham achado o submundo um lugar estranho, o Tártaro era ainda mais atemporal e sombrio. Não tinham noção de quanto tempo estavam caminhando, ou exatamente para onde estavam caminhando, mas estranhavam o fato de não terem encontrado nenhum monstro de cara já que aquele era o local onde suas almas deveriam ficar reunidas e aprisionadas. Aquilo só podia significar que o poder de Gaia estava ainda mais forte do que antes, e que provavelmente as coisas não seriam simples na saída das Portas da Morte, na terra. Chegaram à conclusão de que deveriam seguir os rastros dos prisioneiros do Tártaro; com certeza haveria uma fila deles na saída, esperando sua vez de voltar ao mundo mortal novamente.

Nenhum dos dois percebeu os sussurros que vinham das sombras do lugar, mas conforme andavam e ficavam mais cansados, era possível ouvir vozes lamuriosas, gritos de desespero e sofrimento. Percy não conseguia entender o que eles diziam, ou mesmo se queriam dizer algo, mas Annabeth não parecia encarar aquilo da mesma forma. Quando o filho de Poseidon deu por si, percebeu que a menina estava pálida e ofegante, prestes a desabar no chão, o olhar desnorteado.

– Percy, eu consigo ouvir o que ele está dizendo…
– Ele? Ele quem Annabeth?
– Ele… – a menina fez um gesto com a mão, referindo-se a todo o local
– Não ligue para o que ele diz. Logo nós estaremos fora daqui.
– É… eu sei, eu sei. Eu só… preciso descansar Percy. Meu tornozelo está me matando.
– Certo. Tudo bem.

Com a pouca iluminação proveniente de Contracorrente, improvisaram um pequeno acampamento, mas falharam em acender uma fogueira por causa do vento constante. Percy sentou junto de Annabeth e a envolveu com o braço, deixando que menina adormecesse. Ele mantinha os olhos atentos a qualquer coisa que pudesse parecer suspeita, embora não houvesse nada com o que se preocupar além da própria escuridão. Ele imaginava o que Nico tinha visto de tão terrível naquele lugar, e como o menino havia conseguido atravessar todo o Tártaro sozinho. Enquanto pensava, escutou uma voz chamar seu nome, mas logo pensou estar ouvindo coisas demais. Aquietou-se ao lado de Annabeth e voltou à sua função de vigia, mal percebendo naquele momento que realmente alguém queria falar com ele.

Mais tarde, Percy perceberia como aquilo faria diferença em sua jornada. Naquele momento, ele estava preocupado em como proceder quando Annabeth despertasse.

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