Como Nico conheceu Morgan – Adendo

Antes de ir embora de Detroit, Morgan decidiu visitar a Igreja de St. Anne, a favorita de sua mãe. Fora construída por colonos muitos e muitos anos antes e o local inteiro irradiava magia. Segundo Titânia tinha lhe explicado na primeira vez em que visitaram o local, a obra tinha sido encomendada por uma filha de Hecate que atuava como curandeira naquele local, quando Detroit ainda não passava de um pequeno povoado. Ainda segundo sua irmã mais velha, era um local que sempre atraía filhos de Hecate, mesmo aqueles que não tinham conhecimento sobre suas origens.

Ela inspirou o ar da praça familiar com nostalgia. Ela e Alabaster tinham feito aquele mesmo caminho em busca das palavras de sabedoria da mãe pouco antes de aderirem à causa de Luke Castellan. Os filhos de Hecate estavam cansados da maneira como as coisas aconteciam para os semideuses que não eram reclamados por seus pais. Sabiam que a vida que levavam entre as paredes da casa de Titânia era uma total exceção à regra entre os semideuses, especialmente aqueles que, como os filhos de Hecate, não dispunham de um lugar apenas deles dentro do Acampamento Meio-Sangue. Nenhum dos dois irmãos jamais estivera lá, mas tampouco acreditavam que desejariam estar um dia. O levante contra o Olimpo era a oportunidade perfeita para acertar a ordem daqueles fatores.

Mas o caminho até desacreditarem da causa tinha sido longo e doloroso.

A começar por Luke Castellan, companheiro que tiveram de assistir definhar sob o domínio de Cronos, que claramente o estava apenas usando para seus propósitos mais vis. Os diversos semideuses que assistiram perder a vida durante a batalha contra os integrantes do Acampamento Júpiter, a Legião Fulminata. E dentre aqueles semideuses, irmãos filhos de Hecate também, que não tinham vivido para ver um outro dia depois daquela maldita batalha. O peito de Morgan doeu ao pensar que desde aquele dia não tinha tido notícias de Alabaster, embora sentisse, em seu coração, que ele estava vivo.

Mas depois que sofrera o ataque de Empousa ficara realmente preocupada. Se Lamia realmente pretendia disputar a liderança dos filhos de Hecate com Alabaster, aquilo significava muitas coisas. Primeiro, que ainda havia uma causa pela qual a irmã desejava lutar, o bastante para cogitar destruir Alabaster. Segundo, que Alabaster estava vivo. Terceiro, havia um plano em andamento entre as forças da Grécia antiga e Morgan odiava não saber o que se passava. Quarto e mais importante: haviam outros irmãos vivos, irmãos que se beneficiariam muito mais da influência de Titânia do que da influência de Lamia.

Precisava visitar sua mãe e obter algumas respostas imediatamente.

Estava atravessando o portal da igreja quando ouviu uma voz familiar atrás de si.

– Morgana?
– Sofos!! – ela abraçou o lobo gigantesco pelo focinho – que saudades!
– Sou eu quem tem que dizer isso, menina!

O lobo abanava a cauda, frenético e feliz, as orelhas baixas, rentes ao contorno de sua cabeça, de um jeito que lhe fazia parecer um filhote.

– Ah menina, temos tanto o que conversar, tanto.
– Sim, verdade. – ela sorriu, coçando atrás das orelhas do lobo – mas na verdade eu preciso falar com minha mãe antes. Ela está?
– Sinto dizer, menina, mas a senhora Hecate não está. Ela está com muitas questões a resolver e é provável que demore a voltar.
– Que inesperado. – ela suspirou, contrariada
– Não fique assim menina. – ele acariciou as costas de Morgan com o nariz gelado – vamos, eu te levo para casa.
– Tudo bem. – ela subiu nas costas do lobo, agarrando-se aos pelos de seu pescoço – Hm… Sofos?
– Sim?
– O que é isso?

Ela tirou um pedaço de corda do meio do pelo do lobo. Ele pigarreou alto, claramente desconfortável com o tópico.

– Fui desafiado por um semideus hoje, pelo item que sua mãe me incumbiu de guardar, e perdi.
– Você perdeu?! Como isso é possível!? Você é o melhor Sofos!
– Ahahaha! É menina, eu sou mesmo. Mas mesmo os melhores escorregam às vezes. Uma vez a cada século, talvez.
– Vamos atrás desse semideus! O que quer que seja esse item, não pode ficar solto por aí.
– Não menina, não. Foi um desafio justo. Vamos conservar a pouca honra e dignidade que me resta intacta e partir.

Ela concordou sem dizer nada.
Riu, consigo mesma, pensado que seria engraçado se Nico di Angelo estivesse com aquele item agora. Mas, quais eram as chances de coincidências tão grandes assim acontecerem?

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