Casa de Hades – Capitulo XI – Reyna

– Reyna! Octavian chegou!!

Ela despertou subitamente com o aviso de Dakota. Quando ela sentou na cama de armar e olhou para a entrada da tenda a silhueta do filho de Baco já tinha sumido. Ela se vestiu rapidamente, terminando de fechar as fivelas do peitoral de sua armadura romana enquanto dirigia-se para a tenda do conselho de guerra, Aurum e Argentum em seus calcanhares. Ela tinha passado quase a noite toda em claro pensando no que Sam tinha dito. Ela entendia perfeitamente o sentimento da filha de Trivia em proteger seus irmãos, ela faria exatamente o mesmo por Hylla (assim como tinha certeza de que Hylla faria o mesmo por ela), mas ela estava numa posição delicada com Octavian tentando se sobressair de qualquer maneira como o grande salvador da pátria à custa do sangue e suor dos soldados romanos. Ela segurou forte o mapa que Sam tinha lhe dado na noite anterior, o selo de cera rompido, pensando se o levaria ao conselho de guerra ou não. Respirou fundo e mandou seus cães para longe… eles odiavam mentiras afinal de contas.

Octavian estava sentado na cabeceira da mesa, sendo interado dos assuntos por Dakota. Ele parecia indicar quais locais no mapa já haviam sido vasculhados pelos batedores e de quais locais eles ainda não haviam obtido nenhum resultado. Quando Reyna cruzou a entrada da tenda ele se calou, fazendo com que Octaviam levantasse o olhar do mapa para a Pretora.

– Finalmente decidiu se unir a nós, Reyna?
– Não esperava vê-lo tão cedo Octaviam, só isso. Horários foram feitos para serem cumpridos afinal de contas.
– Não temos tempo para esses detalhes. Pelas informações que recebi do Dakota, estamos no meio de uma crise e sem resultados palpáveis. Como você explica isso?
– Não tem nenhuma outra explicação senão a falta de resultados. Pelo menos até agora.

Sob os olhares curiosos de todos os presentes, Reyna segurou o mapa com mais força na mão antes de desenrola-lo sobre a mesa. Dakota soltou uma exclamação de espanto. Octaviam parecia não acreditar no que via.

– Samantha me entregou esse mapa ontem.
– Eu não esperava menos da Sam! – o filho de Baco correu o mapa com os olhos – ela é simplesmente a melhor!
– Realmente… – Octavian concordou, aparentemente a contragosto
– Acredito que com isso estamos mais do que prontos para marchar em direção ao Acampamento. Posso contar com você na vanguarda comigo, Octavian?

Os olhos castanhos de Reyna encaravam o filho de Apolo, triunfais. Octavian parecia pensar com cuidado sobre quais palavras diria a seguir. Ele se levantou, ficando na mesma altura que Reyna, os olhos azuis escondendo algo.

– Pode reservar meu lugar. Mas antes de nossa partida é importante que perguntemos aos deuses sobre nosso caminho.
– Claro, o que você achar que deve fazer.

Ela o encarou confiante, escondendo a guinada que o estômago deu quando ouviu sobre consultarem o oráculo. A noite em claro também servira para que ela percebesse todas as pequenas dicas escondidas no mapa deixado pela filha de Trivia. Ela concordava com a marcha contra o Acampamento Meio-Sangue tanto quanto a amiga, mas Sam tinha tido tempo de bolar um plano. Um plano que, no momento, dependia de Reyna para dar certo. Ela assistiu Octavian deixar a tenda. Dakota esperou para que os acompanhantes do rapaz deixassem a tenda para começar.

– Onde estão Aurum e Argentum?
– Mandei que fossem patrulhar o perímetro. – ela se limitou a dizer; o filho de Baco bebeu um grande gole de seu copo de Kool-Aid vermelho
– Patrulhar? – ele ergueu uma sobrancelha
– Sim.

Ele continuou encarando a semideusa.

– O quê?
– Você pode enganar o mané que acabou de sair, mas não a mim. – ele se aproximou de Reyna, que tinha a desagradável impressão de que o mundo estava entortando quando olhava os olhos desalinhados de Dakota – O que a Sam te disse?

Ela lutou para não desviar os olhos de Dakota, concentrando o olhar por um segundo nas feições vampirescas que o filho de Baco tinha graças ao corante vermelho do suco. Ela não sabia até que ponto poderia confiar o que tinha em mente para ele, mas não havia como fugir daquela situação sem parecer extremamente suspeita.

– Esquecendo nossos papéis aqui por um momento, o que você pensa sobre essa marcha contra os gregos, sinceramente?
– Acho que tem algo errado. – sua expressão ficou mais séria do que o habitual – Quer dizer… Percy é um cara legal. Se os tais amigos dele quisessem nos atacar mesmo com aquele navio voador não acho que ele teria concordado com a ideia. E sempre existe a possibilidade o ataque ter sido forjado por alguém que nos queria contra os Gregos.

Reyna limitou-se a concordar silenciosamente antes de começar a relatar para Dakota tudo o que ela sabia. Desde o momento em que o Argos II chegara em Nova Roma, passando pela conversa com Annabeth, os relatos da filha de Athena sobre o que estava acontecendo com os deuses, o que eles deviam fazer para impedir Gaia de levar seu plano à cabo e até mesmo suas próprias teorias sobre o repentino ataque do navio voador Grego contra a cidade posteriormente. Como ela tinha ficado dividida aquele tempo todo sobre a marcha contra o Acampamento Meio-Sangue – cuja localização ela sempre soubera graças à Annabeth – e, principalmente, sobre o aparecimento de Sam na noite anterior e a conversa que tivera com a batedora. Ela emitiu a deserção da filha de Trivia, dizendo que a jovem tinha ido na frente para ajudar a colocar o plano em prática, mas indicou no mapa as dicas que ela deixara sobre suas pretensões sobre aquela marcha através da costa. Pretensões estas que Reyna abraçara no momento em que decidira levar aquele mapa até a reunião com Octaviam, naquela manhã.
Dakota ouviu tudo atentamente enquanto andava de um lado para o outro, às vezes parando para olhar para o lado de fora da tenda, ver se não estavam sendo ouvidos por outras pessoas e acabando por alarmar Reyna sempre que o fazia. Quando a filha de Belona terminou suas considerações ele permaneceu quieto e desalinhado, terminando de beber seu copo de Kool-Aid. Parecia estar absorto em seus próprios pensamentos.

– E então…?
– …bom… de repente, muita coisa faz sentido. Mas vamos ter um problema se Octaviam ver alguma coisa no oráculo que não o agrade.
– Eu sei. – ela massageou as próprias têmporas, sentindo-se impotente – só espero que os deuses nos ajudem e evitar esse derramamento de sangue de qualquer maneira.

Dito isto, permaneceram calados na tenda, aguardando o retorno de Octaviam. O tempo todo ela desejava, com todas as suas forças, que um milagre acontecesse e que a mente afiada do oráculo legado de Apolo não percebesse nada de errado com o plano de invasão. Pensou que gostaria que Hylla estivesse lá para lhe dar algum apoio, como quando eram menores, mas logo deixou isto de lado; já era mais do que hora de ser capaz de caminhar com as próprias pernas, por mais difícil que o caminho fosse.

Algum tempo depois, Octavian retornou. Por mais que ele tentasse, era impossível esconder a alegria sinistra que ele parecia sentir naquele momento. Reyna sentiu o estômago dar uma guinada quando passou-lhe pela cabeça que ele poderia estar feliz por descobrir sobre seus verdadeiros planos e estar prestes à desmascará-la e apresenta-la como a pretor traidora de todo o Acampamento Júpiter. Afastou aqueles pensamentos quando sentiu Dakota chamar-lhe a atenção com um toque no braço.

– O que os augúrios disseram?
– Vamos marchar através do caminho que sua batedora traçou, Reyna. Os augúrios disseram que será o caminho do triufo.

Reyna suspirou de alívio mentalmente, sentindo o estômago voltar para o lugar. Também não pode deixar de perguntar-se: “Triunfo de quem?”, mas aquela pergunta tinha uma resposta bem clara na mente da filha de Belona. Seria o triunfo de todos, não apenas Romanos ou Gregos. Se não era o que os augúrios queriam dizer, era o Reyna lutaria para conseguir.

A notícia logo se espalhou pelo acampamento militar. O brilho nos olhos dos membros da legião retornou conforme o sol subia alto no céu e o desmonte das tendas acontecia em ritmo acelerado. Os semideuses e legados pareciam ter recebido uma injeção de ânimo com as notícias, mais falantes e entusiasmados do que antes; Reyna só conseguia pensar que havia uma coisa muito errada com toda aquela animação, imaginando o que restaria dela – se é que restaria algo – quando concluíssem o plano de Samantha. Ela ouvia alguns cochichos a respeito da “inesperada estratégia” através da costa e como ela tinha sido cuidadosamente traçada pela melhor batedora da legião. Pelo menos ela não seria a única a ter que explicar algumas coisas no final da batalha.
Aurum e Argentum encaravam sua mestra com olhos acusadores, competentes demais em suas habilidades para detectar mentiras para ignorar as instruções e palavras de Reyna, obedientes demais para sequer cogitarem rosnar para a Pretor. Ela sentia-se culpada por estar enganando todas aquelas pessoas que confiavam sua honra e vidas a ela, mas se sentiria ainda mais culpada se não fizesse o possível e o impossível para tentar cuidar de toda aquele grande mal entendido da melhor maneira possível. Além do mais, seria divertido ver a cara de Octaviam quando as coisas não saíssem como o esperado. Discretamente, permitiu-se um riso com aquele pensamento antes de prosseguir com suas tarefas. Liderar uma marcha definitivamente não era uma tarefa simples. Encarou Dakota, seu mais novo cúmplice e juntos foram com Octaviam para o último discurso as tropas antes da partida.

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