Casa de Hades – Capítulo XV – Hazel

Quando Morgan avisou sobre os pássaros da Estinfália se aproximando, todos no convés tomaram seus postos de combate. Hazel ficou entre Nico e Frank, tentando parecer confiante diante daquela nuvem negra de pássaros que agora ocupava quase metade do horizonte. Eram monstros que eles já tinham enfrentado antes, afinal de contas. Enfrentado e – muito importante – derrotado. Não eram criaturas particularmente fortes, embora estivessem impressionando bastante pela quantidade.

A filha de plutão suspirou, segurando mais forte sua espada na mão. Quando Jason derrubou as primeiras aves ainda no ar, longe do Argus II, o enxame tomou uma postura agressiva. Era hora de lutar. Sem demonstrar, Hazel esfregou o rosto, cansada. Se as coisas continuassem daquela forma ela poderia dizer que ir contra Gaia com seus amigos tinha sido mais extenuante do que quando estivera no Alasca, com sua mãe sob o controle da deusa da Terra, tentando impedir a ressurreição de um gigante (embora ainda achasse que morrer fosse extenuante o bastante, por assim dizer). Já estavam tão familiarizados com os ataques daquelas aves-monstro que era fácil evitar seus golpes e contra-atacar, uma vez que sabiam exatamente como eles agiriam. Naquele cenário, mesmo a incrível quantidade de aves não parecia o suficiente para fazer qualquer diferença.

Nos controles do navio, Leo disparava esferas incandecentes de fogo-grego com uma expressão meio louca no rosto. Hazel temia sinceramente pela sanidade do semideus, imaginando o quanto ele tinha sido afetado por toda aquela situação. Por mais que ela não quisesse admitir, todos estavam depositando grandes esperanças sobre aquilo que Leo seria capaz de fazer com o Argus II, e no fundo ela admitia que a existência do gigante voador era a única razão que os impedia de pensar que a missão estava totalmente perdida. Embora Morgan não fosse a pessoa mais calma e centrada do mundo, era bom ter recebido uma ajuda extra, uma pessoa descansada e com energia física e mental sobrando para suportar os desafios que ainda estavam por vir até as Portas da Morte. Hazel já tinha discutido com Piper e Frank e a opinião unânime era que, por mais que não gostassem da ideia, precisariam confiar um pouco mais na filha de Hecate pelo bem da missão. Nenhum dos três tinha nada em particular contra ela e, tirando o incidente com Jason, ela só tinha contribuído positivamente com a missão. Ela acreditava que, se Nico confiava tanto em Morgan, ela realmente deveria ser uma pessoa em quem se apoiar em momentos de necessidade (embora ainda estivesse para descobrir o que motivava tanta confiança).

O que verdadeiramente mais preocupava Hazel era o caminho até o Templo de Hades e o fato de não poderem percorrê-lo inteiramente com o navio voador. Eles não imaginavam que tipos de perigos o Monte Pindo lhes reservaria, mas certamente a força de Gaia seria muito forte por lá. Ela concentrou-se nas lembranças que tinha do Alasca, de sua primeira vida, desejando que sua experiência de habilidades fossem úteis para seus amigos. Ela sabia que uma vez que estivessem em terra, seria ela a desempenhar o papel que Leo desempenhava agora. Ela torcia para estar preparada quando esse momento chegasse.

Falando em estar preparada para quando o momento chegasse, ela voltou a se concentrar nos Pássaros da Estifália. Ela e seus amigos estavam bem espaçados no convés, já que eram tantos pássaros indo e vindo, grasnando e batendo asas, que era difícil enxergar direito naquela nuvem negra. Hazel não tinha pensado que haveriam tantos pássaros como haviam agora. Golpear um deles sempre resultava em golpear pelo menos meia dúzia deles. Ela recuou até sentir as costas encostarem na parede, buscando ter pelo menos um ponto protegido da revoada de pássaros. Ela via que Frank estava dizendo algo, mas era impossível entender no meio do barulho. Grasnados, gritos inteligíveis do treinador Hedge, tiros.

Mas um único grito foi capaz de fazer a mente de Hazel entrar num estado de latência, sem saber para onde voltar sua atenção imediata. Enquanto recuava pelo convés, Piper caiu pela murada do Argus II com um grito de pavor. A filha de plutão viu o ocorrido em câmera lenta, enquanto corria para ajudar a amiga. Ouviu as vozes de Jason e Leo atrás de si e pelo canto do olho viu um vulto passar a toda velocidade em direção à murada. Morgan subiu no corrimão com um salto e então mergulhou para fora do Argus II atrás de Piper.

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