Casa de Hades – Capitulo XI – Reyna

– Reyna! Octavian chegou!!

Ela despertou subitamente com o aviso de Dakota. Quando ela sentou na cama de armar e olhou para a entrada da tenda a silhueta do filho de Baco já tinha sumido. Ela se vestiu rapidamente, terminando de fechar as fivelas do peitoral de sua armadura romana enquanto dirigia-se para a tenda do conselho de guerra, Aurum e Argentum em seus calcanhares. Ela tinha passado quase a noite toda em claro pensando no que Sam tinha dito. Ela entendia perfeitamente o sentimento da filha de Trivia em proteger seus irmãos, ela faria exatamente o mesmo por Hylla (assim como tinha certeza de que Hylla faria o mesmo por ela), mas ela estava numa posição delicada com Octavian tentando se sobressair de qualquer maneira como o grande salvador da pátria à custa do sangue e suor dos soldados romanos. Ela segurou forte o mapa que Sam tinha lhe dado na noite anterior, o selo de cera rompido, pensando se o levaria ao conselho de guerra ou não. Respirou fundo e mandou seus cães para longe… eles odiavam mentiras afinal de contas.

Octavian estava sentado na cabeceira da mesa, sendo interado dos assuntos por Dakota. Ele parecia indicar quais locais no mapa já haviam sido vasculhados pelos batedores e de quais locais eles ainda não haviam obtido nenhum resultado. Quando Reyna cruzou a entrada da tenda ele se calou, fazendo com que Octaviam levantasse o olhar do mapa para a Pretora.

Continuar a ler

Casa de Hades – Capitulo X – Clarisse

O acampamento estava agitado como só estivera durante a guerra contra Chronos, na ocasião em que o local fora invadido por monstros, mesmo apesar da barreira mágica. Semideuses iam e vinham para todos os lados cuidando de diversas funções: cavar trincheiras nas rotas mais prováveis de marcha dos romanos para atrapalhar seu avanço e formação, ajustar armaduras para campistas, afiar espadas e pontas de lança. Um conselho de guerra fora convocado por Quíron, reunindo Argos e os campistas mais experientes do acampamento para a criação de uma estratégia de defesa; Malcolm, Will Solace, Jake Mason, os irmãos Stoll e Lou Ellen. Butch, do chalé de Írís estava ocupado com as comunicações e na ausência de Piper o chalé de Afrodite estava bem desorganizado naquela bagunça toda. Na liderança de todos aqueles semideuses estava Clarisse La Rue, a matadora de Drakons, filha de Ares. Ela não estava particularmente feliz com a organização naquele momento, mas como diziam por aí, era o que tinha pra hoje. Ela também não entendia o quê diabos aquela filha de Hecate estava fazendo no conselho de guerra, mas ela esperava que o elenco de Harry Potter que tinha se mudado para o acampamento pudesse fazer algo por todos.

Na grande tenda que havia sido erguida no centro da área dos chalés no acampamento o “conselho de guerra” estava reunido, decidindo quais seriam as próximas ações a serem tomadas. Era visível que as águias Romanas estavam sobrevoando o acampamento cada vez com mais frequência – embora elas não pudessem ver nada devido à barreira de proteção providenciada pelo Velocino de Ouro – mas alguns batedores do acampamento já haviam avistado batedores Romanos pelas florestas naquela região. Para que eles encontrassem o acampamento era apenas questão de tempo. E pouco tempo.

Continuar a ler

Casa de Hades – Capítulo IX – Percy

O caminho transcorreu de maneira relativamente tranquila quando Annabeth despertou. Eles comeram um pouco, embora não sentissem fome, checando o machucado no tornozelo da semideusa antes de prosseguirem. Apesar das poucas horas de sono, era como se a garota estivesse aparentemente ainda mais cansada do que antes, embora se forçasse a continuar a andar. Percy sentia-se angustiado, percebendo que a pessoa que ele ajudava a andar naquele momento parecia menos Annabeth a cada passo que avançam. Ele se perguntava se ela tinha a mesma impressão de Percy, ou ainda se ela estava sentindo mais os efeitos da energia do Tártaro por estar ferida. Qualquer possibilidade que lhe viesse à mente parecia a mais plausível e a mais absurda ao mesmo tempo.

Pelo momento ele considerava uma grande coisa não terem encontrado com nenhum monstro ou habitante do Tártaro até aquela altura do trajeto. Para Percy, estar no Tártaro naquele momento era, provavelmente, como ser o Batman e estar no Asilo Arkham; o rapaz havia despachado dúzias e mais dúzias de monstros para a infame prisão do Submundo, incluindo na lista o próprio Chronos. Não topar com nenhuma criatura clamando por vingança era um ponto muito positivo naquele contexto, e provavelmente o único. Mas, uma coisa chamava a atenção de Percy desde a sua noite (ou dia) de vigília enquanto Annabeth dormia: ele passara a ouvir sussurros. No começo ele pensou que podia ser a própria Annabeth falando enquanto dormia, mas ela não havia emitido nenhum ruído (embora não parecesse ter tido o sono mais restaurador de sua vida). Conforme avançavam, Percy compreendeu que as vozes vinham de toda a parte, fazendo-o sentir quando visitara o Aquário de Fórcis. A diferença é que ele não ouvia um bando de criaturas marinhas animadas com a presença do filho de Poseidon, mas, acreditava ele, as vozes daqueles aprisionados no Tártaro.

Continuar a ler

Como Nico conheceu Morgan – Adendo

Antes de ir embora de Detroit, Morgan decidiu visitar a Igreja de St. Anne, a favorita de sua mãe. Fora construída por colonos muitos e muitos anos antes e o local inteiro irradiava magia. Segundo Titânia tinha lhe explicado na primeira vez em que visitaram o local, a obra tinha sido encomendada por uma filha de Hecate que atuava como curandeira naquele local, quando Detroit ainda não passava de um pequeno povoado. Ainda segundo sua irmã mais velha, era um local que sempre atraía filhos de Hecate, mesmo aqueles que não tinham conhecimento sobre suas origens.

Ela inspirou o ar da praça familiar com nostalgia. Ela e Alabaster tinham feito aquele mesmo caminho em busca das palavras de sabedoria da mãe pouco antes de aderirem à causa de Luke Castellan. Os filhos de Hecate estavam cansados da maneira como as coisas aconteciam para os semideuses que não eram reclamados por seus pais. Sabiam que a vida que levavam entre as paredes da casa de Titânia era uma total exceção à regra entre os semideuses, especialmente aqueles que, como os filhos de Hecate, não dispunham de um lugar apenas deles dentro do Acampamento Meio-Sangue. Nenhum dos dois irmãos jamais estivera lá, mas tampouco acreditavam que desejariam estar um dia. O levante contra o Olimpo era a oportunidade perfeita para acertar a ordem daqueles fatores.

Mas o caminho até desacreditarem da causa tinha sido longo e doloroso.

Continuar a ler

Como Nico conheceu Morgan – Pt. I

De Nova York à Toledo
Nova York, Albany Station, 20h

Nico di Angelo emergiu de uma sombra na estação. O fluxo de mortais não era grande naquela parte do terminal de trens, então ele não estava preocupado se havia sido visto ou não. Desde que ele havia começado sua busca pelas Portas da Morte, alguns meses antes, de tempos em tempos o garoto retornava ao mundo humano para descansar um pouco de sua missão solitária. O tempo passava e ele começava a ficar sem absolutamente nenhuma ideia dos locais onde poderia procurar, o que o deixava preocupado. Havia poucos lugares onde ele ainda não havia buscado e as opções restantes não eram animadoras.

Ele se encaminhava para a saída da estação quando, por cima das conversas das pessoas, passos indo e vindo, rodinhas de malas rodando pelo piso e anúncios nos autofalantes sobre os horários, chegas e partidas dos trens, ele teve a impressão de ouvir uma melodia. Começou baixa e meio tímida, mas começou a ganhar volume gradativamente, conforme o rapaz aproximava-se da fonte para ver o que grande parte da estação havia parado para ver também. Ali, com um violão cor de mogno pendurado numa bandoleira, uma menina se apresentava, o estojo do violão aberto no chão, provavelmente para receber gorjetas. Quando ela começou a cantar, era como ouvir a voz das próprias ninfas, doce e suave, mas havia uma nota profunda de melancolia nas pausas da música. Os cabelos pretos e brilhantes estavam soltos por baixo da boina de lã, e algumas mechas caíam-lhe sobre os ombros conforme ela se movia. Um casaco preto, também de lã, escorregava um pouco de um dos ombros, ficando mais baixo que o outro lado, junto com as mangas que por pouco não lhe cobriam os dedos, conferindo-lhe um charme assimétrico e descuidado, reforçado pelos coturnos surrados e o cachecol comprido. Enfim, quando a música terminou, ela fez uma mesura rápida, quase perdendo os óculos prateados de aro fino, rapidamente ajeitando-o com uma das mãos. Seu talento fora largamente recompensado pelas pessoas, que logo voltaram às suas rotinas, como se aquela música jamais tivesse passado-lhes pelos ouvidos, mas aquilo não pareceu incomodar a menina, que se colocara a arrumar suas coisas. Nico estava atônito, o único que não saíra de seu lugar ainda.
Continuar a ler