Casa de Hades – Capítulo XII – Morgan

A filha de Hecate só entendeu o real significado das palavras de Nico quando ouviu um rugido estranhamente familiar: Quimeras. Não ventava, mas ela sentiu um arrepio na espinha quando pensou que o filho de Hades teria que lutar sozinho da maneira como estava. Mais do que isso, quando pensava que ele havia escolhido lutar sozinho. Terminando de desenhar o círculo na rocha com pressa ela procurava equilibrar o frasco com terra e o frasco com água em rachaduras no paredão de pedra, ficando aflita com os sons do combate. Repetia mentalmente para si mesma que se concentrasse, mas era difícil.

Quando finalmente terminou, no que parecia ter sido um processo infinitamente mais longo do que todas as outras marcações que tinha feito antes, gritou a plenos pulmões, pedindo para ser içada de volta, mesmo sabendo que provavelmente não seria atendida. Pela primeira vez em muito tempo, ela não sabia o que fazer. Tentou escalar o paredão rochoso aproveitando a corda que tinha na cintura, mas o esforço fez com que sua perna latejasse de dor… descer havia sido infinitamente mais simples. Respirando fundo e decidindo tentar ignorar a dor ela conseguiu dar dois passos para cima antes de se assustar e cair de volta para onde estivera até então: Nico tinha acabado no chão lá em cima, a cabeça para fora do penhasco enquanto mantinha as presas da Quimera longe de seu pescoço com sua espada de Ferro Negro.

– Hmm… e aí…? – a voz do rapaz falhava e um filete de suor escorria pela têmpora dele
– Tendo um dia difícil? – ela cruzou os braços em frente ao peito, erguendo uma sobrancelha
– Pode-se dizer que sim… – ele lutava para manter a Quimera quieta
– Se quiser ajuda, é só pedir.
– Obrigado pela consideração.

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Casa de Hades – Capitulo XI – Reyna

– Reyna! Octavian chegou!!

Ela despertou subitamente com o aviso de Dakota. Quando ela sentou na cama de armar e olhou para a entrada da tenda a silhueta do filho de Baco já tinha sumido. Ela se vestiu rapidamente, terminando de fechar as fivelas do peitoral de sua armadura romana enquanto dirigia-se para a tenda do conselho de guerra, Aurum e Argentum em seus calcanhares. Ela tinha passado quase a noite toda em claro pensando no que Sam tinha dito. Ela entendia perfeitamente o sentimento da filha de Trivia em proteger seus irmãos, ela faria exatamente o mesmo por Hylla (assim como tinha certeza de que Hylla faria o mesmo por ela), mas ela estava numa posição delicada com Octavian tentando se sobressair de qualquer maneira como o grande salvador da pátria à custa do sangue e suor dos soldados romanos. Ela segurou forte o mapa que Sam tinha lhe dado na noite anterior, o selo de cera rompido, pensando se o levaria ao conselho de guerra ou não. Respirou fundo e mandou seus cães para longe… eles odiavam mentiras afinal de contas.

Octavian estava sentado na cabeceira da mesa, sendo interado dos assuntos por Dakota. Ele parecia indicar quais locais no mapa já haviam sido vasculhados pelos batedores e de quais locais eles ainda não haviam obtido nenhum resultado. Quando Reyna cruzou a entrada da tenda ele se calou, fazendo com que Octaviam levantasse o olhar do mapa para a Pretora.

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Casa de Hades – Capitulo X – Clarisse

O acampamento estava agitado como só estivera durante a guerra contra Chronos, na ocasião em que o local fora invadido por monstros, mesmo apesar da barreira mágica. Semideuses iam e vinham para todos os lados cuidando de diversas funções: cavar trincheiras nas rotas mais prováveis de marcha dos romanos para atrapalhar seu avanço e formação, ajustar armaduras para campistas, afiar espadas e pontas de lança. Um conselho de guerra fora convocado por Quíron, reunindo Argos e os campistas mais experientes do acampamento para a criação de uma estratégia de defesa; Malcolm, Will Solace, Jake Mason, os irmãos Stoll e Lou Ellen. Butch, do chalé de Írís estava ocupado com as comunicações e na ausência de Piper o chalé de Afrodite estava bem desorganizado naquela bagunça toda. Na liderança de todos aqueles semideuses estava Clarisse La Rue, a matadora de Drakons, filha de Ares. Ela não estava particularmente feliz com a organização naquele momento, mas como diziam por aí, era o que tinha pra hoje. Ela também não entendia o quê diabos aquela filha de Hecate estava fazendo no conselho de guerra, mas ela esperava que o elenco de Harry Potter que tinha se mudado para o acampamento pudesse fazer algo por todos.

Na grande tenda que havia sido erguida no centro da área dos chalés no acampamento o “conselho de guerra” estava reunido, decidindo quais seriam as próximas ações a serem tomadas. Era visível que as águias Romanas estavam sobrevoando o acampamento cada vez com mais frequência – embora elas não pudessem ver nada devido à barreira de proteção providenciada pelo Velocino de Ouro – mas alguns batedores do acampamento já haviam avistado batedores Romanos pelas florestas naquela região. Para que eles encontrassem o acampamento era apenas questão de tempo. E pouco tempo.

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Casa de Hades – Capítulo IX – Percy

O caminho transcorreu de maneira relativamente tranquila quando Annabeth despertou. Eles comeram um pouco, embora não sentissem fome, checando o machucado no tornozelo da semideusa antes de prosseguirem. Apesar das poucas horas de sono, era como se a garota estivesse aparentemente ainda mais cansada do que antes, embora se forçasse a continuar a andar. Percy sentia-se angustiado, percebendo que a pessoa que ele ajudava a andar naquele momento parecia menos Annabeth a cada passo que avançam. Ele se perguntava se ela tinha a mesma impressão de Percy, ou ainda se ela estava sentindo mais os efeitos da energia do Tártaro por estar ferida. Qualquer possibilidade que lhe viesse à mente parecia a mais plausível e a mais absurda ao mesmo tempo.

Pelo momento ele considerava uma grande coisa não terem encontrado com nenhum monstro ou habitante do Tártaro até aquela altura do trajeto. Para Percy, estar no Tártaro naquele momento era, provavelmente, como ser o Batman e estar no Asilo Arkham; o rapaz havia despachado dúzias e mais dúzias de monstros para a infame prisão do Submundo, incluindo na lista o próprio Chronos. Não topar com nenhuma criatura clamando por vingança era um ponto muito positivo naquele contexto, e provavelmente o único. Mas, uma coisa chamava a atenção de Percy desde a sua noite (ou dia) de vigília enquanto Annabeth dormia: ele passara a ouvir sussurros. No começo ele pensou que podia ser a própria Annabeth falando enquanto dormia, mas ela não havia emitido nenhum ruído (embora não parecesse ter tido o sono mais restaurador de sua vida). Conforme avançavam, Percy compreendeu que as vozes vinham de toda a parte, fazendo-o sentir quando visitara o Aquário de Fórcis. A diferença é que ele não ouvia um bando de criaturas marinhas animadas com a presença do filho de Poseidon, mas, acreditava ele, as vozes daqueles aprisionados no Tártaro.

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Como Nico conheceu Morgan – Adendo

Antes de ir embora de Detroit, Morgan decidiu visitar a Igreja de St. Anne, a favorita de sua mãe. Fora construída por colonos muitos e muitos anos antes e o local inteiro irradiava magia. Segundo Titânia tinha lhe explicado na primeira vez em que visitaram o local, a obra tinha sido encomendada por uma filha de Hecate que atuava como curandeira naquele local, quando Detroit ainda não passava de um pequeno povoado. Ainda segundo sua irmã mais velha, era um local que sempre atraía filhos de Hecate, mesmo aqueles que não tinham conhecimento sobre suas origens.

Ela inspirou o ar da praça familiar com nostalgia. Ela e Alabaster tinham feito aquele mesmo caminho em busca das palavras de sabedoria da mãe pouco antes de aderirem à causa de Luke Castellan. Os filhos de Hecate estavam cansados da maneira como as coisas aconteciam para os semideuses que não eram reclamados por seus pais. Sabiam que a vida que levavam entre as paredes da casa de Titânia era uma total exceção à regra entre os semideuses, especialmente aqueles que, como os filhos de Hecate, não dispunham de um lugar apenas deles dentro do Acampamento Meio-Sangue. Nenhum dos dois irmãos jamais estivera lá, mas tampouco acreditavam que desejariam estar um dia. O levante contra o Olimpo era a oportunidade perfeita para acertar a ordem daqueles fatores.

Mas o caminho até desacreditarem da causa tinha sido longo e doloroso.

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