Como Nico conheceu Morgan – Adendo

Antes de ir embora de Detroit, Morgan decidiu visitar a Igreja de St. Anne, a favorita de sua mãe. Fora construída por colonos muitos e muitos anos antes e o local inteiro irradiava magia. Segundo Titânia tinha lhe explicado na primeira vez em que visitaram o local, a obra tinha sido encomendada por uma filha de Hecate que atuava como curandeira naquele local, quando Detroit ainda não passava de um pequeno povoado. Ainda segundo sua irmã mais velha, era um local que sempre atraía filhos de Hecate, mesmo aqueles que não tinham conhecimento sobre suas origens.

Ela inspirou o ar da praça familiar com nostalgia. Ela e Alabaster tinham feito aquele mesmo caminho em busca das palavras de sabedoria da mãe pouco antes de aderirem à causa de Luke Castellan. Os filhos de Hecate estavam cansados da maneira como as coisas aconteciam para os semideuses que não eram reclamados por seus pais. Sabiam que a vida que levavam entre as paredes da casa de Titânia era uma total exceção à regra entre os semideuses, especialmente aqueles que, como os filhos de Hecate, não dispunham de um lugar apenas deles dentro do Acampamento Meio-Sangue. Nenhum dos dois irmãos jamais estivera lá, mas tampouco acreditavam que desejariam estar um dia. O levante contra o Olimpo era a oportunidade perfeita para acertar a ordem daqueles fatores.

Mas o caminho até desacreditarem da causa tinha sido longo e doloroso.

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Como Nico conheceu Morgan – Pt. V

Parte V – Nova York
Rua Luquer, 9h

Nico despertou, sentindo-se bem descansado. Não lembrava-se da última vez que tinha dormido tão confortavelmente, numa cama tão macia e quentinha quanto a do quarto de hóspedes da casa onde Morgan vivia. Ele se levantou e esticou os cobertores, sem muita prática. Podia ouvir vozes e passos pelo corredor. Ainda se sentia desnorteado pela série de acontecimentos que sucederam a chegada dos semideuses à casa.

A casa era espaçosa e aconchegante, em todos os sentidos. Quando atravessara a porta, na noite anterior, deparara-se com um corredor longo que dividia-se em duas portas opostas, um arco no final e uma escada à direita. O papel de parede vitoriano tinha ornamentos vinho sobre o fundo bege queimado. Titânia, a irmã de Morgan, aparentava ser uma mulher no auge de seus 35 anos. Mas ao contrário de Madelaine que tinha uma aparência jovial largamente atribuída aos seus gestos e trejeitos, Titânia era austera e rígida em sua maneira de falar, agir e vestir-se. A postura estava impecavelmente perfeita, assim como sua roupa passada e engomada. Vestia-se quase como uma governanta vitoriana; a camisa branca parecia ser puramente de algodão, as mangas longas terminavam em punhos adornados com uma discreta fileira de renda. A saia longa projetava-se em direção ao chão a partir da cintura, reta, lisa e cor de terra molhada, sua barra pairando como a boca de um sino em torno das botas de couro marrom que ecoavam no assoalho de madeira conforme ela andava. Seu cabelo era cor de fogo, curto e cacheado, cuidadosamente preso e modelado num penteado típico das mulheres durante a década de 1950. O batom escuro combinava com o tapa-olho do lado esquerdo, ajudando a destacar ainda mais o olho azul hortência dela. Continuar a ler

Como Nico conheceu Morgan – Pt. IV

Parte IV – Nova York
Estação da Rua 86, 23h40h

Morgan ajeitou o cachecol e a bolsa do violão no ombro quando deixou a estação de metrô, apressando o passo. A noite estava fria o bastante para fazer com que ela pensasse em comprar uma meia-calça mais grossa para usar junto com seu short jeans preto e surrado. Ainda havia algum movimento nas ruas e alguns policiais iam e vinham entre o fluxo de transeuntes, o que a tranquilizava. A última coisa da qual era precisava era de um trombadinha mortal para lhe importunar. Seguiu até o ponto de encontro combinado anteriormente com seu contato e esperou. Odiava estar adiantada. Apesar disso, a noite sempre lhe agradara, e esta era uma noite especialmente bonita, o céu urbano tão limpo quanto poderia estar. Ela se recordou da paisagem mais rural que avistara durante a sua viagem, lembrando-se das estrelas e do céu infinitamente mais limpo com um quê saudoso. Fazia apenas algumas horas desde que deixara tudo aquilo para trás, mas já sentia falta.

A lua estava bem alta no céu, indicando a meia-noite. Um funcionário do parque passou, avisando que logo fechariam os portões e ela apenas acenou, em concordância. Mecanicamente, seus dedos gelados percorriam as ranhuras e relevos do embrulho que Madelaine Bloodheart tinha feito com cuidado para o livro, enquanto seus olhos vasculhavam os arredores em busca de uma figura conhecida. Todos os seus sentidos estavam alertas. Ela sabia que era errado entregar um livro como aquele para uma pessoa que não lhe inspirava confiança alguma, mas aquele tinha sido o acordo e ela cumpriria com sua parte em nome de seu pai. Ela suspirou, cansada da viagem, quando avistou uma pessoa pelo canto do olho. O manto azul e a cabeça raspada eram inconfundíveis. Continuar a ler

Como Nico conheceu Morgan – Pt. III

Parte III – De Toledo à Detroit
Terminal de Ônibus de Detroit, 13h

Enfim, o tão temido momento onde seus caminhos separariam-se chegou. Nico não estava muito confortável com a perspectiva do adeus e Morgan não parecia melhor do que ele nesse sentido. Eles almoçaram juntos numa lanchonete perto da estação, conversando e fazendo piada sobre suas partidas de Mitomagia no ônibus. Cada vez que um assunto aproximava-se do fim, procuravam iniciar um novo, mas não podiam continuar com aquilo para sempre. Finalmente deixaram a lanchonete. O menino virou-se para sua companheira de viagem, mas ela foi mais rápida na despedida, abraçando-o.

– Boa sorte em sua busca. – a voz dela ressoava baixo, próxima ao ouvido de Nico, fazendo-o se arrepiar de leve, mas ela o soltou em seguida sem preceber isso, sorrindo – e se precisar de algo, já sabe.

E partiu, despedindo-se animadamente. Nico permaneceu parado alguns segundos, superando aquele excesso de informações. Quando finalmente colocou-se a caminho da Igreja de St. Anne percebeu um papel em seu bolso. Surpreso e curioso, desembrulhou. Ele não aquela caligrafia, mas era evidentemente de Morgan, informando o endereço onde buscaria seu livro e que ficaria na cidade até o anoitecer, quando faria o trajeto de volta a Nova York. Devolveu o bilhete ao bolso. Precisava se apressar até a igreja.
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How Nico Met Morgan – Pt. II

From Toledo to Detroit
Toledo Station, 8 am

The morning in Toledo was beautiful and cold, with the sun still partially hidden by clouds. Morgan removed her backpack from her shoulder, sitting in the waiting area, leaving all her belongings between her legs. Nico took her side, lifting the collar of his aviator coat, and zipping up, hiding the skull shirt.

– It looks like we might be here for a while.
– Yeah. – Morgan sighed – when I said I was going to Detroit by train, everyone suggested I’d take a plane just because of the bus trip. But traveling through the sky doesn’t seem, to me, a truly healthy option.
– I understand you perfectly.

They sighed together.

When Morgan learned the whereabouts of the book shewas looking for, days ago, never occurred to her that she would have company to travel. She lived in Brooklyn with other five brothers and an aggregate of the family. Titania, the oldest daughter of Hecate in the house was who rule it all, while Morgan and the others scrambled to gather and ensure the safety of other children of Hecate scattered around, before the construction of the Cabin at Camp Half-Blood. The task was hard and involved great difficulties and distances, but all were accustomed to the hard and severe training from Titania, so travelling looking for people was a breeze. The house was always bustling and noisy, so travelling were felt in a lonely way and the time was perceived in a very slow manner, so Morgan had become accustomed to taking things that could distract her. The company of Nico was nice and easy to deal with, but only when they arrived in Toledo she realized how much she was rusty in this thing called “social interaction”.
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